CFM acolhe a Reunião da APLOP e reactiva os planos de recuperação da linha do Limpopo e execução da 2ª fase da linha de Ressano Garcia

Num contexto de consolidação da recuperação económica e de redefinição das prioridades de desenvolvimento, o Governo, através da Empresa Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), acolheu, na sexta-feira, a Conferência e Reunião Intermédia da Associação dos Portos dos Países de Língua Portuguesa (APLOP), subordinada ao tema “Os Portos, Força Motriz da Economia Azul”.

Na abertura do evento, o Presidente do Conselho de Administração do CFM, Agostinho Langa Júnior, anunciou a revisão do orçamento, com vista ao redireccionamento de fundos para priorizar a recuperação da Linha de Limpopo, destruída pelas cheias de janeiro, e assegurou o início das obras de ampliação e modernização da linha de Ressano Garcia, em junho próximo. Por sua vez, o ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, destacou que a aposta do Governo passa pela valorização dos recursos marinhos, modernização das infra-estruturas portuárias e construção de cadeias logísticas mais eficientes e resilientes.

“Sediar este evento significa, para nós, não só uma responsabilidade acrescida, mas também uma oportunidade de permitir a troca de experiências entre os nossos profissionais moçambicanos e os oriundos das instituições portuárias dos países da CPLP e, por essa via, consolidar a nossa cooperação nos vários domínios do processo de gestão dos Portos, à luz das orientações superiores dos nossos Governos”, disse Agostinho Langa Júnior.

Discursando na abertura do evento, que contou com a presença de associados de Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique e Portugal, bem como de representantes dos reguladores marítimo e ferro-portuário de Moçambique, aos quais se juntaram quadros da CFM, da Sociedade de Desenvolvimento do Porto de Maputo (MPDC), da Portos do Norte, da Cornelder, da CFM Logistic e outros convidados interessados na área da logística portuária, o PCA da CFM destacou o impacto das cheias e chuvas registadas em janeiro, na região sul do país. Estas intempéries causaram prejuízos estimados em 40 milhões de dólares americanos, devido à destruição de infra-estruturas. “A nossa previsão era concluir as reparações até ao dia 17 deste mês, mas a nova estimativa aponta para meados do próximo mês de Abril”, revelou Agostinho Langa Júnior.

Actualmente, a linha opera com apenas quatro comboios por dia, o que gera prejuízos no transporte de mercadorias do Zimbabwe e de passageiros para Chicualacuala, na província de Gaza.

“Vamos ter de rever o nosso orçamento e redireccionar a aplicação de alguns fundos para nos concentrarmos na Linha de Limpopo”, disse o PCA da CFM.

Além da Linha de Limpopo, o PCA anunciou para Junho o início das obras da segunda fase da Linha de Ressano Garcia, que se encontra actualmente em preparação.

“Estamos, neste momento, a concluir o concurso para a contratação de um consultor que irá elaborar o projecto. Pensamos que, por volta de junho ou julho, já teremos o empreiteiro contratado para avançar. Trata-se de um projecto que deverá durar cerca de dois anos”, acrescentou.

O PCA do CFM realçou ainda que “a nossa infra-estrutura ferroviária não pode ser implantada em zonas muito desniveladas. Como deve saber, isso requer, de facto, uma coordenação com o Ministério das Obras Públicas e outras entidades ligadas à gestão de calamidades”, defendendo a importância da articulação institucional.

Implementação da Economia Azul como estratégia de promoção de oportunidades e crescimento económico

Por sua vez, o ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, fez saber que Moçambique colocou a economia azul, no âmbito da diversificação, no eixo central da sua estratégia para acelerar o crescimento sustentável, criar emprego e reforçar a integração regional.

Segundo o ministro, a estratégia procura reduzir a dependência de sectores tradicionais e aposta em novos recursos oceânicos, até agora pouco explorados. João Matlombe sublinhou ainda que “é neste contexto que a economia azul, caracterizada por imensos recursos marinhos, assume um papel central e estratégico para o nosso País”, daí que, o Governo procura transformar este potencial em riqueza efectiva, através da valorização de sectores como as pescas, o turismo e as energias marinhas. Ao mesmo tempo, avançou, pretender-se melhorar a gestão dos recursos naturais como forma de garantir benefícios duradouros para as gerações futuras.

Para além do crescimento económico, a economia azul é uma questão de inclusão social, tendo em conta que uma exploração eficiente e sustentável beneficiará directamente as populações, através da criação de emprego, apontada como um dos principais objectivos. “A economia azul representa o emprego, a inclusão social e a dignidade. Para isso, o Governo coloca os portos e a logística no centro da economia azul, e a empresa CFM é chamada a operacionalizar esta visão estratégica”, afirmou o governante.

“Estas infra-estruturas são essenciais para o funcionamento da economia, na dinamização do comércio e, ao mesmo tempo, contribuem para a integração regional”, apontou. Para além disso, a eficiência logística é vista como factor de competitividade, pelo que João Matlombe fez saber que o Governo aposta na modernização contínua do sector portuário.

Cada porto que modernizamos, cada cadeia logística que fortalecemos, cada ligação que estabelecemos não se mede apenas por indicadores económicos, pois o desenvolvimento do sector portuário traduz-se não apenas em ganhos económicos, mas também na criação de oportunidades concretas para os nossos cidadãos”, referiu.

Outrossim, “mede-se pelas vidas que transformamos e pelas famílias que encontram novas perspectivas”, sublinhou o ministro.

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